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Gisele Bundchen ou Merilyn Monroe


publicado por Vivi Tassi em

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      Todas as vezes que penso em escrever sobre corpo, auto-imagem, vaidade, beleza e todas essas coisas que compõe o mundo, ainda que fantasioso, das mulheres, a primeira coisa que me passa na cabeça é a condição que a pessoa tem (ou não) de se colocar na realidade. Na minha prática clínica, a maioria das mulheres que se queixam de excesso de peso, ou insatisfação com o corpo, quando questionadas sobre o motivo de querer emagrecer, logo dizem que querem emagrecer para ficar igual Gisele Bundchen, ou para vestir 36.  Não é impossível vestir 36, nem atingir o padrão magro de Gisele. Mas não é fácil, não é realidade para a grande maioria das pessoas, por causa de nossa constituição genética, por causa de nossa carga genética, da nossa predisposição física.  Simples assim. Existem pessoas que por mais magras que sejam, jamais vão entrar num jeans 36. É possível ser magro e usar uma calça número 42. O que acontece é que na nossa sociedade, o belo, o bem sucedido, a meta, está ligada com algo que vai além das possibilidades da grande maioria das mulheres.  
 Hoje em dia é crime usar 42, 44. É pecado. É pior do que roubar, é algo digno de vergonha. Não pra mim, mas provavelmente você conhece alguém que se sinta péssimo em dizer o peso. O nosso caráter tem sido medido pela circunferência da nossa cintura, e isso é triste. Triste e preocupante. Preocupante por que por causa de uma fantasia, de um ideal irreal, existe um sacrifício enorme que coloca quem o pratica em risco. A pessoa que passa pela situação de não aceitação corporal sofre, o marido/namorado sofre, a família sofre, os amigos sofrem, a vida social fica prejudicada. A modelo da foto abaixo foi fotografada ao natural, sem photoshop, sem retoques, do jeito que ela é.
  

Causou os mais variados sentimentos. Ela tem coxas grossas, braços mais grossos, barriguinha saliente...Mas é incrivelmente bonita, tem um ar saudável, dentes bonitos, cabelos bonitos.Existe uma harmonia nessa modelo que não se pode negar. Ela é feliz, ao menos aparentemente. Ela me passa a sensação de alegria e de plena aceitação. Entretanto, a beleza hoje em dia está sendo vista apenas em função de quantos quilos você pesa, e ponto final.


 Não consigo olhar para Marilyn, a eterna sensualidade em forma feminina, e achá-la “rechonchuda.” Para os padrões de hoje, para as passarelas e para todo o mundo fashion, ela é considerada quase plus size, ou simplesmente, gorda, caso prefiram. Não se vê modelos com essa forma física desfilando por aí, ou se existem, é um número muito insignificante, que faz com que a maioria das mulheres quando olham para uma foto de anúncio de biquíni se sintam inadequadas.
Se você tem anemia ou qualquer outra deficiência vitamínica, não importa. A beleza é a aparência exagerada dos seus ossos. Se a unha estiver quebrando e o cabelo caindo, por que você não se alimenta bem, dá-se um jeito: existe fortalecedor para unhas, shampoo antiqueda, blush e iluminador para dar ar saudável para o rosto, que vai sair na hora em que você tomar seu banho. Não estou fazendo apologia aqui para o não cuidado corporal. Estou querendo levá-las a reflexão a respeito do que é saúde, do que é a real beleza, e do que é a fantasia. Não tem nada de mal em querer ser magro, em querer usar jeans 36. Mas pense: o que tem por trás desse motivo? Qual é sua real intenção em ser magra? Por que usar 40 é indigno? Para quem você quer ser o que quer?
Quando conseguimos entender nossas motivações, fica mais fácil de corrigir algumas condutas e alterar outras. Existem muitos “entretanto” quando se fala em excesso de peso, obesidade, anorexia e outros. Com o passar do tempo, vou abordando determinados aspectos desses males “contemporâneos” e vou explanando-os aqui no blog. Por enquanto, gostaria que meu start aqui fosse esse alerta e essa reflexão: os motivos, as necessidades que nos fazem (por diversas vezes) comer tanto, e depois, querer parar de comer radicalmente. A quem estamos punindo? 

Beijo
Camila Valério



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